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obrigado pela compreensão e te esperamos lá!

beijos! 

Coisas de não.

“— Finado Severino,
quando passares em Jordão
e o demônios te atalharem
perguntando o que é que levas…

— Dize que levas somente
coisas de não:
fome, sede, privação.”

Morte e Vida Severina,

É a morte de que se morre de fome um pouco por dia.

“E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte Severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).”

Morte e Vida Severina,

Morte e Vida Severina.

Morte e Vida Severina

Morte e Vida Severina / João Cabral de Melo Neto
- São Paulo: Nova Fronteira, 2006.
167 páginas

Depois de ler “Poeta e a Mídia - Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto”, onde são apresentadas comparações entre estes dois autores, fiquei instigado para ler alguma coisa de João Cabral de Melo Neto. Drummond é um dos meus preferidos, vou tentar entender o seu oposto: o lado mais racional e estético da poesia brasileira. E começo pelo clássico: Morte e Vida Severina.

Os alemães metafísicos - de nascença.

“Isto não deve espantar ninguém: os ianques, esses primeiros mecânicos do Mundo, são engenheiros, como os italianos são músicos e os alemães metafísicos - de nascença.”

Da terra à lua,

Da Terra à Lua.

Da Terra à Lua.

Da Terra à Lua / Julio Verne
- São Paulo: Melhoramentos, 2005.
126 páginas.

Ama o desejo, não o desejado.

“Disseque suas motivações mais profundamente! Achará que jamais alguém fez algo totamente para os outros. Todas as ações são autodirigidas, todo serviço é auto-serviço, todo amor é amor-próprio. […] Parece surpreso com esse comentário? Talvez esteja pensando naqueles que ama. Cave mais profundamente e descobrirá que não ama a eles: ama isso sim as sensações agradáveis que tal amor produz em você! Ama o desejo, não o desejado.”

Quando Nietzsche chorou, p. 151

Sentimentos meigos.

“Em outra seção deste livro, ele diz que sentimos ódio por quem devassa nossos segredos e nos flagra com sentimentos meigos.”

Quando Nietzsche chorou, p. 122

Três milímetros.

“Não, eu não estava pensando em escrever livros, mas em ler estes livros. Oh! A incessante labuta do intelectual, despejando todo este conhecimento para dentro do cérebro pela abertura de três milímetros da íris.”

Quando Nietzsche chorou, p. 58

De que estrelas caímos aqui um para o outro?

“Não obstante, havia nele algo de extraordinariamente irresistível. As primeiras palavras que me disse foram: “De que estrelas caímos aqui um para o outro?” Então, nós três começamos a conversar. E que conversa!”

Quando Nietzsche chorou, p. 33

Agonis.

“Em sua filosofia, é atraído pelos gregos pré-socráticos, especialmente pelo conceito deles de agonis - a crença de que desenvolvemos dons naturais somente através da luta -, e desconfia profundamente da motivação de quem quer que renuncie à luta e alegue ser altruísta. Seu mentor nesses assuntos foi Schopenhauer. Ninguém deseja, acredita ele, ajudar os outros; pelo contrário, as pessoas desejam apenas dominar e aumentar seu próprio poder.”

Quando Nietzsche chorou, p. 30

Auf Wiedersehen!

“Reduzi meus deveres a apenas um: perpetuar a minha liberdade. O casamento e seu séquito de possessão e ciúme escravizam o espírito. Eles jamais me dominarão. Espero, doutor Breuer, que chegue o tempo em que nem o homem, nem a mulher sejam tiranizados pelas fraquezas mútuas. ”

Quando Nietzsche chorou, p. 23

Quando Nietzsche chorou.

Quando Nietzche chorou

Quando Nietzche chorou / Irvin D. Yalom.
- São Paulo: Ediouro, 2003.
407 páginas

Apesar de tudo, ela se recuperou.

“De forma geral, não me detenho muito nessas recordações. Passados tantos anos, já perderam o poder de me afetar: o tempo neutralizou-as. Só puderam recobrar vida[s] deformadas, irreconhecíveis e ganhando, no decorrer de sua transformação, um sentido obsceno.”

História do olho, p. 91

Os prazeres da carne.

“Mas, desde então, não havia mais dúvidas: eu não gostava daquilo a que se chama “os prazeres da carne”, justamente por serem insossos. Gostava de tudo o que era tido por “sujo”. Não ficava satisfeito, muito pelo contrário, com a devassidão habitual, porque ela só contamina a devassidão e, afinal de contas, deixa intacta uma essência elevada e perfeitamente pura. A devassidão que eu conheço não suja apenas o meu corpo e os meus pensamentos, mas tudo o que imagino em sua presença e, sobretudo, o universo estrelado…”

História do olho, p. 58

Via Láctea.

“Deitei-me então na grama, o crânio apoiado numa pedra lisa e os olhos abertos sobre a Via Láctea, estranho rombo de esperma astral e de urina celeste cavado na caixa craniana das constelações.”

História do olho, p. 57

História do olho.

historiaolho.jpg

História do olho / Georges Bataille.
- São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
135 páginas

Esse livro foi recomendação da Renata.

Uma reserva de sonho contra tudo o que não é doce, sutil ou sereno.

“Têm sido assim meus dias. Sou mais feliz que 97,6% da humanidade, nas contas do professor Schianberg. Faço parte de uma ínfima minoria, integrada por monges trapistas, alguns matemáticos, noviças abobadas e uns poucos artistas, gente conservada na calda da mansidão à custa de poesia ou barbitúricos. Um clube de dementes de categorias variadas, malucos de diversos calibres. Gente esquisita, que vive alheia nas frestas da realidade. Só assim conseguem entregar-se por inteiro àquilo que consagraram como objeto de culto e devoção. Para viver num estado de excitação constante, confinados num território particular, incandescente, velado aos demais. Uma reserva de sonho contra tudo o que não é doce, sutil ou sereno. É o mais próximo da felicidade que podemos experimentar, sustenta Schianberg.
Não sei que nome você daria a isso.
Bem, não importa muito, chame do que quiser.

Eu chamo de amor.”

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, p. 229

Estou esperando um filho seu, Cauby.

“De repente, sem mais nem menos, Lavínia falou:
Estou esperando um filho seu, Cauby.
Alguém poderia escrever um manual sobre como se deve reagir a esse tipo de notícia, se as circunstâncias não forem favoráveis ao casal. Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. Seria bastante útil para homens como eu.”

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, p. 183

Eu me perdôo por todas as lutas que a vida venceu por pontos.

“O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdôo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que a gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse.”

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, p. 154

Desfez a espuma, não o sonho.

“Falei que estava planejando ir embora. Lavínia gritou do chuveiro:
O que você disse?
Entrei no banheiro e puxei a cortina de plástico. Ela ensaboava o corpo.
Tô pensando em ir embora daqui.
Pra onde?
Não sei ainda. Talvez eu volte para São Paulo.
Lavínia passou o sabonete entre as pernas, levantou um monte de espuma. E sonho.
O que foi, bateu saudade de casa?
Não posso ficar aqui para sempre, tenho que dar um jeito na minha vida.
Ela guiou o jato do chuveirinho para o púbis. Desfez a espuma, não o sonho.”

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, p. 133

Eu afundaria todos os navios nesta noite.

“Estou relendo o trecho em que o professor Schianberg se ocupa da separação dos amantes. As transitórias e as irremediáveis.  Ele menciona um maluco norueguês que afundou um navio como oferenda pela volta da amada. O problema é que o navio não era dele, e deu cadeia. Eu afundaria todos os navios nesta noite, Lavínia. Incendiaria o porto. Só para ver o brilho das chamas refletido nos seus olhos escuros.”

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, p. 18

Ditado chinês.

“O segredo, dizia Chang, o china da loja, não é o descobrir o que as pessoas escondem, e sim entender o que elas mostram. Mas Chang está morto. Existe algo mais íntimo para exibir ao mundo do que as entranhas? Existe algo tão obsceno?”

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, p. 13

Poeira das estrelas.

“Queremos o que não podemos ter, diz o professor Schianberg, o mais obscuro filósofos do amor. É normal, saudável. O que diferencia uma pessoa de outra, ele acrescenta, é o quanto cada um quer o que não pode ter. Nossa ração de poeira das estrelas.”

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, p. 16.

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios.

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios
Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios / Marçal Aquino.
- São Paulo: Companhia das letras, 2005.
229 páginas

Eu começo por esse. Ele que me fez não querer esquecer as pequenas identificações que impressionam quando eu começo a ler os mais queridos.

introdução

este blog é um arquivo pessoal de passagens dos livros que ando lendo. uma espécie de registro para não esquecer.