a primeira vez que ouvi falar sobre sinestesia foi no colegial. não aquela figura de linguagem das aulas de português, mas sim a condição neurológica de pessoas que realmente conseguem enxergar a cor do som.
algumas pessoas nascem com a capacidade cognitiva de associar um planos sensoriais diferentes, como por exemplo, sentir o gosto de um som ou a cor de um cheiro. esse poder de associação reflete também numa alta capacidade de memória. veja no minuto 4”27 desse vÃdeo o teste de uma pessoa que tem sinestesia.
assim como elizabeth do vÃdeo enxerga uma fita colorida e sente sabores quando ouve um som, duke ellington, o deus do piano no jazz, via cores nos timbres. o professor da bauhaus e pintor kandinsky, nos sons. vladimir nabokov, o autor de lolita, tinha grafema - sinestesia que são associadas cores à s letras. daà uma possÃvel explicação para, imho, a melhor frase inicial de um livro.
“lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. minha alma, minha lama. lo-li-ta: a ponta da lÃngua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. lo. li. ta.”
o começo do romance de nabokov é preto (lo) - preto (li) - vermelho (ta).
enxergar o mundo associando 2 sentidos para a mesma coisa deve ser impressionante. mas imagino que sentir o sabor de um jingle ou de um slogan “sacadinha”, seja como comer em fast-food. ;)